Movimento Alternativa Socialista no 25 de Abril de 2023
15/02/2024

Nestas eleições legislativas, o MAS apresenta-se com uma palavra de ordem clara: “Os ricos que paguem a crise”. A partir dela, colocamos a necessidade de controlar os preços dos bens essenciais e das rendas, taxar as grandes fortunas, nacionalizar os setores estratégicos e combater a corrupção e os privilégios das elites, de maneira a podermos recuperar o valor dos salários e das pensões, criar habitação pública, digna e acessível, reforçar os serviços públicos e avançar numa transição energética socialmente justa. 

Assim, o programa que apresentamos pode parecer, aos olhos de muitos, parecido ou igual ao dos partidos da esquerda parlamentar, fazendo surgir a pergunta óbvia: se há outros a defender medidas como as nossas, para que faz falta o MAS? A resposta, urgente e necessária, traz-nos à outra palavra de ordem, não menos importante, com que nos apresentamos nestas eleições: “Nem PS, nem PSD: é preciso construir uma verdadeira alternativa de esquerda”.

Nos últimos anos, temos testemunhado uma crescente insatisfação com os partidos parlamentares tradicionais, que falharam em oferecer soluções reais para os desafios enfrentados pelos trabalhadores e pela juventude. Nem o centrão, que há décadas implementa políticas que aprofundam os problemas sociais, nem a extrema-direita, com suas propostas ainda mais agressivas para com os trabalhadores, apresentam uma alternativa real. Também a esquerda, mais preocupada em fazer concessões ao PS do que em propor uma alternativa independente, frustrou as expectativas de milhares.

Face ao expectável falhanço do projeto neoliberal que PS e PSD partilham a diferentes ritmos, seria responsabilidade da esquerda apresentar uma alternativa a todas essas forças. Só acompanhando de forma inabalável o justo descontentamento de milhares com o PS, tanto pela sua política ruinosa de empobrecimento e destruição dos serviços públicos, tanto pelo escandaloso aproveitamento que destacadas figuras fazem do dinheiro público para benefício próprio e de interesses privados, é possível apresentar uma verdadeira saída alternativa ao bipartidarismo PS/PSD e ao populismo reacionário e autoritário da extrema-direita. 

Ainda que não seja igual um governo do PS, com ou sem geringonça, ou um governo da direita, que representa um ataque mais direto às condições de vida da classe trabalhadora, o receio de o PSD voltar a governar, recorrendo ao seu sucedâneo trauliteiro Chega, não pode ser desculpa para eternizar o PS e os seus governos, que respondem, tal como os outros, aos grandes grupos económicos e aos patrões que lhes financiam as campanhas e os acolhem em cargos quando os mandatos terminam.

Para uma fatia cada vez maior da população é evidente que, durante os 8 anos de governação de António Costa, o mercado da habitação continuou desregulado, com rendas sempre a aumentar, as leis laborais pré-troika não foram restituídas e os salários continuaram a perder valor, enquanto os serviços públicos continuaram a degradar-se a olhos vistos, abrindo caminho aos privados para lucrarem com a situação. Juntando-se a estes problemas os diversos casos de corrupção no governo, não admira que, para milhares, a distinção entre PS e PSD seja cada vez menor.

No entanto, a verdade é que PCP e BE escolheram ir separados a eleições, mas de mão estendida ao PS, com olhos postos numa geringonça recauchutada que, como já experimentamos, não traz grandes resultados, além de meia dúzia de migalhas para travar a contestação social que pode realmente arrancar vitórias. De facto, a falta de vontade destes dois partidos em apresentar uma resposta comum aos problemas dos trabalhadores e em criar uma alternativa de governo independente das classes dominantes só é superada pela insistência das suas direções em alimentar ilusões e falsas esperanças no PS. 

Diante deste cenário, surge a necessidade premente de construir uma verdadeira alternativa de esquerda. Uma alternativa que não viva de espalhar a ilusão de que tudo se pode resolver mediante a quantidade de lugares que ocupa no parlamento, mas que se fortaleça nas lutas sindicais e sociais, que são os verdadeiros pilares da resistência aos ataques dos governos e das elites dominantes. 

A resposta branda e institucional da esquerda parlamentar em nada ajuda a dar voz e corpo a este sentimento e é um dos principais motivos pelos quais cada vez menos trabalhadores confiam na sua política, acabando os descontentes por procurar uma alternativa na extrema-direita e os moderados a votar no PS. 

Ainda hoje, as direções do BE e do PCP são incapazes de tirar as devidas lições da catástrofe que foi o seu projeto de conciliação com as classes dominantes, através da geringonça, continuando a apostar tudo em fazer acreditar que as políticas liberais do governo só começaram em 2022 e que, caso o PS volte a precisar da esquerda parlamentar para governar, tudo será melhor.

Se em 2015, quando PCP e BE tiveram, coletivamente, um número histórico de deputados, não conseguiram impor a reversão das leis da troika nem que o governo resolvesse a crise da habitação, como esperam agora convencer-nos de que desta vez será diferente? Aquilo que a geringonça demonstrou foi que não é com aritmética parlamentar que se consegue arrancar conquistas e que estas só serão alcançadas através da mobilização das ruas.

É por este motivo que precisamos de uma alternativa à esquerda de pantufas, que tem necessariamente de ser construída todos os dias, nas lutas dos trabalhadores e das suas organizações por melhores condições laborais e de vida, das populações e dos ativistas que se mobilizam pelo direito à habitação e contra a mineração, a seca e outras consequências das alterações climáticas, e chamando também a juventude precária e sem perspectivas de futuro que se começa a organizar. 

O MAS quer ajudar na construção dessa alternativa e está disposto a dar força e levar às últimas consequências as lutas avançadas pelos trabalhadores e pela juventude, para que possamos conquistar uma democracia real, onde os direitos básicos não sejam meras promessas vazias, mas sim garantias tangíveis, acessíveis a todos que deles necessitam. Uma alternativa que desafie o sistema econômico dominante, colocando na ordem do dia a necessidade de economia planificada, que priorize as necessidades da população em detrimento dos lucros de uma minoria privilegiada.

Construir esta alternativa não é fácil, mas é possível. Vem construí-la connosco.